O sr. João06-04-2008

Hoje Zedes preparou-se para receber sua Ex.cia Rev.ma Sr. D. António Montes Moreira, Bispo de Miranda-Bragança, numa visita pastoral. Ler mais na Página de Zedes.
Hoje, numa viagem que fiz a Zedes tive tempo suficiente para subir ao alto de um monte e verificar se os narcisos selvagens de que falei no Blog no dia 14, tinham mesmo florido. A maior parte das flores já caiu mas consegui esta bonita fotografia.
A cruz, desta feita ricamente enfeitada com flores brancas, foi dada a beijar a todos, anunciando a ressurreição de Jesus e abençoando as casas. Não houve tempo para saborear um bolo económico ou um pouco de folar. Muito menos para beber um reconfortante Vinho Fino. O Compasso há muito que deixou de trazer as tradicionais duas cestas de verga, revestidas com alvas toalhas brancas, uma para os folares, outra para os queijos. Desta forma, já poucos percebem a tradicional expressão "tirar a cesta" bem típica de Zedes. Tão pouco se espeta uma moeda sobre uma laranja ou mesmo se introduz na mesma uma pequena nota de 20 escudos dobrada em quatro. Nos dias que correm tempo é dinheiro e o dinheiro são euros, em nota, num envelope bem identificado.
Desde Março de 2007 que guardo em casa um pedaço de Zedes. É um pouco de terra que cabe num iogurte. Este pedaço de terra recolhi-o no Barreiro e contém alguns bolbos de de uma espécie de Narciso que me parece ser uma das plantas espontâneas mais difíceis de encontrar em Zedes. Trata-se do Narcissus calcicola, uma espécie de nasciso (também chamados junquilhos em Zedes), selvagem, de pequeno tamanho mas de uma rara beleza. Desde criança que conhecia uma rocha no Monte do Macho onde estas "campainhas amarelas" floriam. Durante muito tempo pensei que seria o único lugar onde se poderiam encontrar. Nos meus passeios por Zedes vim a encontrar outros locais onde abundam. Contrariamente às vulgares campainhas que podemos encontrar nesta época, em abundância, em qualquer lugar, estes narcisos gostam de locais pedregosos, desenvolvem-se nas fendas das rochas em locais de difícil acesso.
Ao contar a estória anterior, vieram-me outras à memória. Quem não se recorda do sr. Ângelo, que morava junto à capela de Santa Margarida, no Cima d'Aldeia? Eu ainda andei a aprender com ele alguns arpejos de fado (1, 2 ,3 Ré, 1, 2, 3 Fá!!!). Além das recordações do lagar de vinho e de alguns bailaricos que se faziam na sua casa, do sr. Ângelo (que recordo sempre como uma pessoa animada), recordo alguma estórias curiosas. A primeira, acreditem que é verdade, é a de que num ímpeto de fúria, também uma característica do sr. Ângelo, partiu os dentes juntamente com uma parte do queixo a um burro. Inovador e inspirado por outras façanhas já realizadas por outros zedenses, cozeu os queixos ao burro, com um arame. Mais tarde, outro burro bastante manhoso que teimava em colocar a pata de lado deformando o casco foi baptizado pelo sr. Ângelo de Socialista!
Há na minha lembranças um conjunto de histórias ou de estórias. Algumas ouvi-as em noites de Inverno antes da televisão ou a Internet ocuparem todo o nosso tempo. Outras, nasceram na minha cabeça fruto de romances que aprendi e que cantei na cegada, para esquecer o cansaço e o tempo, antes de apanhar o autocarro para o ciclo, em Carrazeda. Estão como uma névoa na minha memória, subindo de vez em quando, como o nevoeiro na Cabreira e partindo quando o ruído da vida é maior, espantando as recordações doces da infância. A que vos conto hoje, dizem que é verdadeira. Esta estória fala de um tanoeiro de nome João Sarafim. Não sei bem se o conheci, se imagino que o conheci. Este tanoeiro sabia mais do que fazer pipos para conservar o precioso líquido que aquece a garganta e alegra a alma. Depois do seu burro ter sido vitima de um acidente perdendo parte de uma perna, o habilidoso tanoeiro improvisou uma prótese, em madeira, para o malogrado animal. O trabalho foi tão perfeito que o tanoeiro foi de carroça, juntamente com a sua família, à festa da Senhora da Assunção, em Vilas Boas, puxada nem mais nem menos pelo burro com uma prótese numa perna.





Uma vez que temos andado a falar sobre a possibilidade da impressão de um Postal Ilustrado de Zedes, é bom recordar que Zedes já teve pelo menos dois postais ilustrados. Também já tivemos a Anta de Zedes em selo! Se alguém tem um selo desses guardado, que me faça chegar uma fotografia ou uma digitalização do selo, para eu mostrar aqui.
O segundo é mais recente, mas também anterior a 1991, ano em que a Anta sofreu uma interversão, ficando com os seus esteios mais aprumados. Do lado esquerdo da fotografia vemos um esteio muito inclinado, que ameaçava cair, arrastando outro no qual estava apoiado. Este segundo postal é da autoria da Foto-Figueiredo, casado em Zedes e um bom amigo da aldeia. Não sei se algum dos postais continua em circulação.